Os meus ouvidos escutam cada vez menos as conversas, os meus olhos enfraquecem, continuando porém insaciados.
Vejo as pernas delas de mini-saia, de calças, ou de tecidos vaporosos,
Espreito cada uma, os seus rabos e coxas, pensativo, embalado por sonhos porno.
Ó lascivo velho jarreta, estás com os pés para a cova e não para os jogos e brincadeiras da juventude.
Mas não é verdade, faço apenas aquilo que sempre fiz, compondo as cenas desta terra, movido pela imaginação erótica.
Não desejo justamente estas criaturas, desejo tudo,e elas são como um sinal de convívio extático.
Não tenho culpa de sermos feitos assim, metade de contemplaçãodesinteressada e metade de apetite.
Se depois de morrer for para o Céu, lá, terá de ser como aqui,apenas hei-de livrar-me dos sentidos entorpecidos e dos ossos pesados.
Transformado em puro olhar, continuarei a absorver as proporçõesdo corpo humano, a cor dos lírios, a rua parisiense na madrugada de Junho.Enfim, toda a inconcebível, a inconcebível pluralidade das coisas visíveis.
Proprio qui, su questa piazza
Fu arso Giordano Bruno.
Il boia accese la fiamma
Fra la marmaglia curiosa.
E non appena spenta la fiamma,
Ecco di nuove piene le taverne.
Ceste di olive e limoniSulle teste dei venditori.
C’è chi ne trarrà la morale
Che il popolo di Varsavia o Roma
Commercia, si diverte, ama
Indifferente ai roghi dei martiri.
Altri ne trarrà la morale
Sulla fugacità delle cose umane,
Sull’oblio che cresce
Prima che la fiamma si spenga.
Eppure io allora pensavo
Alla solitudine di chi muore.
Al fatto che quando Giordano
Salì sul patibolo
Non trovò nella lingua umana
Neppure un’espressione
Per dire addio all’umanità,
L’umanità che restava.
Rieccoli a tracannare vino,
A vendere bianche asterie.
Ceste di olive e limoni
Portavano con gaio brusìo,
Ed egli già distava da loro
Come fossero secoli.
Czeslaw Milosz
De "Salvación"
Exactamente en esta plaza
Fue quemado Giordano Bruno
(……)
Se dirá que la moral
Es que en Varsovia o en Roma
La gente se divierte, ama
Despreocupada de los mártires sobre la hoguera.
O se verá la moral
En la fugacidad de las cosas
Humanas, en el olvido que nace
Antes aun de que el fuego se extinga.
Yo en cambio pensaba entonces
En los que mueren solos,
Pensaba que cuando Giordano
Subió a aquel patíbulo,
No encontró en la lengua humana
Ni siquiera una palabra
Para decir adiós a la humanidad.
La humanidad que quedaba.
(…….)
De estos muerientes, solos,
Ya olvidados por el mundo,
También la lengua nos es extraña
Como lengua de antiguo planeta.
Hasta que todo sea leyenda
Y entonces después de tantos años
En el nuevo Campo de’ Fiori
Un poeta encenderá la revuelta.
Czeslaw Milosz
